Reflexão 1 - Karate no geral

 Ao longo destes 35 anos de prática, digo bem de prática, treino, suor, lágrimas mas sobretudo muito prazer, muitas foram também, as questões, os obstáculos que com muita dedicação, empenho e coragem consegui superar.
Escrever sobre as Artes Marciais e o Karate em particular, não sendo uma vocação é para mim uma missão, um dever, tanta me parece ser a confusão reinante na comunidade marcial.

Para ponto de partida e em antes de qualquer pensamento, atitude ou acção, temos de rever o nosso conceito sobre o significado da palavra Karaté.
Para muitas pessoas o Karaté é algo de violento, desprestigiante, inútil, coisa para quem não tem mais que fazer da vida e ou que não passa de uma forma de luta. Para outros, uma espécie de dança ou ginástica em que os intervenientes são muito maus. É claro que os filmes contribuíram para popularizar o Karaté dessa maneira errada mas demonstra inegavelmente a falta de visão, informação e até formação do que é o Karaté verdadeiramente.

Karaté é uma Arte Marcial e também para muitos é uma forma de estar na vida, partilhando objectivos comuns como o Judo, Kendo, Aikido, a Cerimónia do Chá, em cultivar o treino físico, técnico e espiritual.

Também podemos afirmar que o Karaté torna o impossível em possível, mesmo para o homem desarmado, ajudando-o a alcançar os objectivos na vida. O treino físico é de tal forma severo que naturalmente também implica um treino psicológico exigente. O Karaté é um método para reunir o corpo e o espírito, tornando a vida humana ao mesmo tempo mais ampla e profunda.

Antes de iniciar algumas reflexões, fruto de muito estudo nos últimos tempos, quero  deixar algumas considerações de sosai Mas Oyama. Um homem que influenciou definitivamente a abordagem, o conceito e conteúdo técnico, físico e mental das artes marciais e de combate em geral e do Karate em particuçlar e, que milhões de estudantes reconhecem influência decisiva nos seus treinos na sua postura interna e externa.

 

Extractos da bibliografia de Mas Oyama

 

No Karaté, mais importante que a técnica ou a força, é o espírito que vos permitirá agir em total liberdade. Para se conseguir uma boa atitude de espírito, é necessário praticar a meditação Zen. Está certo, quando se diz que esta meditação necessita de um estado de ausência de pensamento, criando condições para que as nossas possibilidades possam emergir. 

O estado Zen de renúncia de si mesmo é a mesma rejeição dos pensamentos egoístas e a preocupação no bem estar pessoal que o artista sente em plena criação. O homem que quer seguir a via do Karaté, não pode deixar de praticar Zen e o aperfeiçoamento espiritual.

 

A traição de Brutus para com Júlio César é bem conhecida. É impossível que uma pessoa do género de Brutus, possa existir no seio dos meus numerosos alunos. E não sei o que faria em semelhante situação... É muito provável que eu esmagasse essa pessoa, mas não deixaria de me afligir. É fútil perseguir alguém que já fugiu. Os traidores geralmente perdem os seus amigos e muitas vezes a traição é inspirada pelo interesse do dinheiro ou do protagonismo. Mas, aqueles que se apercebem, acabam por abandonar o traidor que é, então, traído pelos próprios amigos.

            Fiz com que o Karate Kyokushin fosse célebre em todo o mundo, não só pela potência e rigor dos seus métodos de treino, mas, também, pela maneira como ele transmite a humildade e o respeito pelos outros.
O homem dev
e procurar a aventura, deve saber combater e explorar. Deve fixar-se um objectivo e viver para o conseguir. Um homem é forte quando tem um objectivo pelo qual luta.

Mas o homem mais forte do Karaté também pode ser o mais fraco, porque sabe que pode matar com um só golpe. Um homem deve aprender a controlar-se. Comecei a ter pesadelos, nos quais a mulher desse japonês chorava pela morte do seu marido.

Decidi mudar, radicalmente, a minha vida a partir desse momento. Não tendo habilidade para os negócios, escolhi outra via e decidi dedicar o resto da minha vida ao Karaté-Do.

As minhas vitórias foram determinantes para a expansão e credibilidade mundial do Karaté. Tenho o recorde de vitórias contra Boxers de Inglesa, Muai Tay, Judokas, Karatekas e lutadores de toda a espécie. Venci, com as mãos nuas, touros furiosos. Estou convencido que enquanto puder utilizar o Karaté, serei imbatível numa luta sem armas.

Um homem nunca conhecerá o verdadeiro sentido das artes marciais, enquanto não tiver uma experiência no combate real. Para se merecer o nome de Karateka, é necessário encontrar e dominar o verdadeiro perigo. Sou, provavelmente, o único japonês do pós-guerra a estar, tantas vezes, confrontado com a morte.


Por isso, fui desprezado por pseudo pacifistas que não percebiam nada sobre o combate real. Digam-me o que se deve pensar, de instrutores que transmitem uma espécie de dança de Karaté aos seus alunos, técnicas, espírito de combate, se eles nunca combateram?

                                      

                                       A essência do Karaté está no combate.

 

                                             Shihan Antonio Fernando Pereira

Reflexão 1 - Karate no geral